Desculpe, estamos em Reforma Tributária!

Poucas pautas mobilizaram tanto o ambiente empresarial nos últimos anos quanto a Reforma Tributária. Apresentada como uma transformação estrutural capaz de simplificar o sistema, reduzir distorções históricas e aumentar a competitividade do país, a reforma foi recebida com expectativa por grande parte do mercado. Em teoria, a proposta parecia responder a uma demanda antiga: tornar o sistema tributário brasileiro menos complexo, mais transparente e mais eficiente.

Em junho de 2026, porém, a discussão já não gira apenas em torno das promessas. O foco passa a ser a implementação. E é justamente nesse momento que começam a surgir questionamentos relevantes sobre custos, prazos, regulamentações e impactos efetivos para empresas e setores da economia.

Mais do que perguntar se a reforma é necessária, o debate agora parece caminhar para outra direção: a transição está sendo conduzida da forma mais eficiente possível?

Uma breve linha do tempo

A Reforma Tributária sobre o consumo foi oficialmente instituída com a promulgação da Emenda Constitucional 132, em dezembro de 2023. O texto criou as bases para um novo modelo de tributação, substituindo gradualmente tributos como PIS, Cofins, ICMS, ISS e parte do IPI por novos mecanismos: a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), de competência federal, e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), compartilhado entre estados e municípios. Também foi criado o Imposto Seletivo, destinado a produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.

Ao longo de 2024 e 2025, o foco esteve na regulamentação. Foram aprovadas leis complementares, discutidas regras operacionais, definidos mecanismos de transição e iniciada a construção do Comitê Gestor do IBS.

Já no início de 2026, a reforma entrou em sua primeira fase prática. Empresas começaram a adaptar sistemas, documentos fiscais e processos para acomodar os novos tributos. O período atual funciona como uma espécie de fase de testes, em que CBS e IBS já aparecem operacionalmente nas obrigações fiscais, mas sem cobrança integral. A promessa é que a transição se estenda até 2033, quando o novo modelo passará a operar plenamente.

Definições em aberto: alíquotas, simplificação e impactos setoriais

Apesar dos alardeados avanços regulatórios, diversos pontos continuam cercados por incertezas. Um dos exemplos mais citados é a discussão sobre a carga tributária efetiva. Embora já existam parâmetros, regimes específicos e estimativas divulgadas pelo governo e por entidades do mercado, a alíquota de referência consolidada ainda segue sendo objeto de debate e projeções. Isso ocorre porque o percentual final depende de uma série de fatores, incluindo arrecadação, compensações, benefícios setoriais e ajustes que ocorrerão ao longo da transição.

Em termos práticos, empresas seguem tomando decisões de investimento, precificação e planejamento sem conhecer exatamente qual será a carga definitiva que enfrentarão nos próximos anos. O cenário gera uma situação curiosa: existe um cronograma detalhado para implementação, mas ainda há dúvidas relevantes sobre o resultado final dessa implementação.

Além disso, simplificar o sistema futuro não significa simplificar a transição, que será desafiadora e seguirá até 2033.

Assim, o que as empresas enfrentam em 2026 é justamente uma nova camada de dificuldades caras e circundadas por incertezas. Sistemas precisam ser reconfigurados, cadastros devem ser revisados, processos fiscais exigem adaptações, equipes precisam ser treinadas, novos layouts de documentos eletrônicos estão sendo implementados e obrigações acessórias continuam sendo ajustadas.

Além disso, as empresas irão conviver simultaneamente com regras antigas e novas, criando um ambiente operacional mais complexo do que aquele existente antes da reforma. A pergunta inevitável, logo, é se parte dessa complexidade transitória poderia ter sido reduzida com uma implementação mais gradual, mais coordenada ou com maior previsibilidade regulatória.

Outro ponto que vem ganhando espaço nas discussões é o impacto setorial. Isso porque, embora a reforma tenha sido construída sob o princípio da neutralidade arrecadatória, diversos segmentos já sinalizam expectativa de aumento da carga tributária efetiva.

Setores intensivos em mão de obra, especialmente serviços, tecnologia, educação, saúde privada, construção civil e parte das atividades profissionais, manifestaram preocupação ao longo da tramitação das propostas. A justificativa é simples: muitos desses negócios operam com estruturas de custos que geram menos créditos tributários do que cadeias industriais tradicionais.

Como consequência, a migração para o novo modelo pode resultar em aumento da tributação líquida, mesmo diante da promessa de racionalização do sistema. Esse debate ajuda a explicar por que a reforma recebeu elogios importantes de economistas e especialistas em política tributária, mas também despertou resistência em diversos setores produtivos. A simplificação parece relativamente consensual; a redistribuição dos impactos, nem tanto.

Um problema institucional?

Talvez a principal reflexão provocada pelo atual estágio da reforma seja menos técnica e mais institucional. O Brasil já viveu outros ciclos de grandes mudanças regulatórias que chegaram ao setor produtivo acompanhadas de prazos apertados, regulamentações complementares tardias e necessidade de adaptações emergenciais.

Sob essa perspectiva, a Reforma Tributária levanta uma dúvida legítima: estamos diante de uma transformação cuidadosamente planejada ou de mais um processo em que a responsabilidade operacional acaba sendo transferida para o contribuinte?

Minha aposta é a segunda hipótese que, por sua vez, tende a impulsionar o contencioso tributário do país durante a fase de transição da Reforma, já que empresas de setores potencialmente prejudicados devem se movimentar para questionar a constitucionalidade das mudanças, dos tributos ou mesmo para recolher os impostos pela metodologia atual.

Ato contínuo, a introdução de novos tributos, regras inéditas e diferentes interpretações sobre sua aplicação deve estimular a judicialização de controvérsias por parte de contribuintes e entes federativos.

Para se ter uma ideia da dimensão desse cenário, um estudo do Superior Tribunal de Justiça estima que, em um cenário de litigância autônoma envolvendo IBS e CBS, o volume de processos tributários na Corte poderá crescer 35%.

E os sucessivos ajustes de cronograma, a necessidade constante de esclarecimentos regulatórios e as adaptações que seguem ocorrendo mesmo com a fase de implementação já iniciada alimentam ainda mais essa percepção por parte do mercado.

Não se trata, por fim, de questionar a necessidade da reforma, visto que o sistema anterior também acumulava distorções. A questão central parece ser outra: o sucesso de uma reforma depende da capacidade de executá-la com previsibilidade, segurança jurídica e clareza operacional. E há dúvidas sobre isso que pairam no país.

O fato é que a Reforma Tributária já deixou de ser uma discussão sobre intenções. Ela passou a ser uma discussão sobre execução. E é justamente nesse ponto que começam a surgir os maiores testes para empresas, governos e contribuintes.


O tabuleiro da economia: quais as propostas econômicas e fiscais dos principais candidatos na corrida presidencial de 2026?

Embora os planos de governo oficiais ainda não tenham sido divulgados, com a consolidação de seus principais nomes, a corrida presidencial de 2026 já delineia seus contornos no campo das ideias econômicas.

Atualmente, o debate está centralizado, sobretudo, na sustentabilidade da dívida pública e na eficiência dos gastos governamentais, com propostas que variam de uma profunda ruptura fiscal e macroeconômica até um caminho de continuidade baseado em estímulo ao consumo e avanço da Reforma Tributária.

Com base em pronunciamentos e entrevistas recentes, análises na mídia e notícias oficiais dos partidos, apresento abaixo um pequeno resumo das propostas que começam a ser discutidas pelos cinco candidatos mais bem posicionados na disputa à Presidência da República, considerando a última pesquisa divulgada pela Nexus/BTG Pactual, no dia 27/04.

Antes mesmo dos programas oficiais, pré-candidatos sinalizam caminhos distintos para temas como dívida pública, impostos, previdência e crescimento.

Antes mesmo dos programas oficiais, pré-candidatos sinalizam caminhos distintos para temas como dívida pública, impostos, previdência e crescimento.Magnific


Lula: consumo, aposta nos ganhos da Reforma Tributária e regulação

Entrando na disputa pelo seu quarto mandato, o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, teve na sua presente gestão uma forte agenda de estímulo ao consumo como vetor para a economia e deve centrar seu discurso na aprovação da Reforma Tributária, da isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil e em seus potenciais ganhos de simplificação fiscal para o país.

Dividido entre números razoáveis de crescimento e pressão pelo aumento dos gastos públicos, do custo de bens essenciais como a gasolina, Lula tem como desafio convencer o eleitor de sua capacidade em equilibrar o fortalecimento do PIB com a estabilidade da dívida.

Em um recente plano de metas divulgado no ano passado por sua equipe econômica – e que deve seguir como norte para um eventual próximo mandato – temos ainda apontamentos sobre transição ecológica na economia, a regulação das big techs, o aperfeiçoamento da Lei de Falências e a tributação dos chamados super ricos.

Flávio Bolsonaro e a necessidade da Reforma Previdenciária

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se coloca como principal candidato da oposição ao governo atual, fundamenta sua pré-campanha na crítica à excessiva carga tributária do país e na defesa da eficiência pública.

Sua plataforma econômica, coordenada por Rogério Marinho, classifica o atual arcabouço fiscal como uma "peneira" que perdeu a capacidade de disciplinar gastos e mantém juros elevados.

Flávio propõe, dentro desse contexto, uma revisão da Previdência, cujo modelo atual é descrito como prestes a "estourar" e indicando a possibilidade do desenho de uma nova sistemática previdenciária para o país. Outro ponto importante já citado pelo candidato inclui uma retomada da Reforma Trabalhista de 2017, para adaptá-la às novas tecnologias e dinâmicas do mercado.

Finalmente, a pauta de "menos tributos" mira diretamente o custo de vida cotidiano, como combustíveis e energia, buscando atrair o apoio do mercado financeiro e de setores produtivos, em pontos de atual desgaste no governo Lula.

Romeu Zema e a ruptura estatal

O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), apresenta a proposta de maior ruptura com o atual modelo de participação estatal na economia. Estruturado em "cinco pilares", suas propostas prometem a eliminação do Custo Brasil em quatro anos e privatização de estatais federais, sem exceções para ativos estratégicos como a Petrobras, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil.

Zema defende também que chama de reforma da previdência "definitiva", com ajustes automáticos de idade e alíquotas baseados na expectativa de vida, além de uma flexibilização trabalhista que permita contratos negociados livremente, inclusive por jornada horária.

Fiscalmente, Zema aposta no corte drástico de gastos e no combate aos "supersalários" em Brasília como o caminho para reduzir juros e a inadimplência, complementado por uma abertura comercial gradual ao exterior através da redução de tarifas de importação.

Ronaldo Caiado e o enfrentamento do Custo-Brasil

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), busca se posicionar, em seus primeiros discursos, como um gestor pragmático com altos índices de aprovação em seu Estado e que busca, dentre outros pontos, enfrentar o Custo-Brasil, que ele estima em 23% para os empresários, devido à burocracia e corrupção.

Sua vitrine econômica inclui também o potencial de exploração de minerais críticos e terras raras, visando transformar o Brasil de mero exportador em um processador desses recursos através de parcerias com países como os Estados Unidos.

No campo fiscal, Caiado é um crítico severo da gestão Lula, classificando o aumento da dívida pública como um "colapso completo" e defendendo a emancipação social em substituição ao que chama de "assistencialismo populista".

Finalmente, o governador foca seu discurso em pacificação política como um caminho necessário para que haja foco exclusivo na gestão pública.

Renan Santos: Reestruturação Federativa no radar

Por fim, Renan Santos (Partido Missão) apresenta uma agenda focada no equilíbrio do modelo federativo e em reformas administrativas austeras e profundas, se colocando como um candidato de antagonismo direto ao modelo atual de gestão pública aplicado no país.

Sua proposta inclui da fusão de municípios economicamente inviáveis a criação de indicadores de desempenho para gestores locais, com a possibilidade de intervenção em casos de descumprimento de metas.

Nesse mesmo sentido, Santos critica o crescimento das despesas obrigatórias e defende o fim do reajuste automático de benefícios vinculados ao salário mínimo, além de propor a transição da Previdência para um modelo de capitalização.

Sua plataforma vincula, por fim, o ajuste fiscal diretamente ao enfrentamento do crime organizado como premissas para a retomada do crescimento, além de uma agenda forte de corte de impostos (tesouraço), como um caminho para o estímulo da liberdade econômica e atração de investimentos para o país.

Conclusão e quadro comparativo

O cenário de 2026 apresenta desde a continuidade de um projeto que aposta suas fichas nos ganhos da Reforma e sustenta seu discurso na redução de desigualdades via tributação da renda e sustentabilidade ambiental até projetos que priorizam a redução do tamanho do Estado, o foco na eficiência da gestão e que retomam o debate sobre previdência e custos trabalhistas.

A convergência entre os candidatos de oposição reside na crítica ao atual patamar de endividamento e no entendimento de que uma melhoria da administração pública é uma rota para a redução dos juros, enquanto o governo atual defende que o fortalecimento institucional e a regulação são os pilares para uma economia estável.

Em outras palavras: as peças começam a se colocar na mesa e o eleitor deve decidir que rumos dará para o jogo eleitoral.


Kreston KBW consolida operações no Brasil e fortalece estratégia internacional

A Kreston KBW Auditores anunciou a consolidação de suas operações no Brasil sob uma única liderança com a aquisição da Partnership Auditores (empresa que também representava a Kreston Global no Brasil). O movimento faz parte de uma estratégia global de expansão liderada pela Golden Bridge Holding S/A– investidora dessas empresas – para fortalecer ainda mais a atuação da empresa no mercado nacional e internacional.

Na prática, a unificação integra estruturas, equipes e serviços em uma operação mais integrada, com foco em ganho de escala, eficiência operacional e crescimento sustentável, potencializando também a governança da empresa e ampliando a capacidade de atuação da firma no mercado de auditoria, tax, advisory e serviços especializados.

O novo ecossistema passa a contar com cerca de 80 profissionais, sete sócios, mais de 300 clientes ativos e o direcionamento estratégico do conselheiro Sr. Julio Baffini. Com a integração, o faturamento anual da firma alcança a casa de R$ 9 milhões.

Estratégia de expansão internacional

A reorganização acompanha um movimento mais amplo de crescimento da Kreston Global, baseado na combinação entre expansão orgânica e aquisições estratégicas.

Dentro desse contexto, o Brasil passa a ocupar uma posição relevante na estratégia internacional da companhia, funcionando como um hub para novos negócios e integração com mercados como Estados Unidos e América Latina.

Além da ampliação da presença internacional, a expectativa é aumentar a capacidade de atendimento a clientes locais e globais.

A Golden Bridge tem um papel central nessa estratégia, apoiando a integração, a expansão e a geração de novas oportunidades de crescimento para a Kreston.

Integração e ganhos operacionais

Com a consolidação, a empresa também passa a operar com maior padronização de processos, integração de metodologias e gestão baseada em indicadores.

A expectativa é que a nova estrutura gere ganhos de produtividade e eficiência operacional, além de ampliar oportunidades de cross-selling entre clientes e áreas de atuação. Nesse contexto, a projeção é de crescimento de até 20% nessas iniciativas nos primeiros ciclos após a integração.

Outro objetivo do movimento é fortalecer a competitividade da operação brasileira em um mercado cada vez mais orientado por integração, escala e especialização de negócios.

Nova fase da operação

A consolidação marca um novo momento para a Kreston KBW Auditores no Brasil, combinando crescimento, integração e fortalecimento estratégico.

Com uma estrutura ainda mais robusta e conectada à estratégia da Kreston Global, a empresa amplia sua capacidade de acompanhar a evolução do mercado, inovar, atender demandas mais complexas e criar novas oportunidades de desenvolvimento no Brasil e no exterior!